O presente trabalho apresenta resultados do levantamento e análise de representações gráficas da passagem do tempo, em que se buscou identificar qualidades formais e elementos gráficos das composições que colaboram com a comunicação desta variável. O estudo foi organizado a partir de revisão bibliográfica assistemática sobre a produção de gráficos para exibição de dados, incluindo exemplos notáveis de seu desenvolvimento histórico. O uso de representações que convidam à abstração de elementos do cotidiano, entre eles o tempo, é um recurso razoavelmente recente, iniciando-se na segunda metade do século XVIII (TUFTE, 2001) e aprimorando-se com desenvolvimento técnico de processos mecanizados e estudos sobre o movimento na segunda metade do século XIX (GIEDION, 2013), assim como com a substancial contribuição da teoria dos signos e as classificações propostas por Charles S. Peirce, para a análise de ‘diagramas’ (FARIAS, 2008). Complementou-se o levantamento com buscas webgráficas em campos do conhecimento em que o tempo é elemento relevante para compreensão dos trabalhos, tais como música e dança, esportes, algumas áreas da medicina, transportes, produção e economia. As peças gráficas foram analisadas e classificadas considerando os elementos formais observados tais como: 1) eixos lineares com intervalos regulares; 2) representações circulares; 3) representações multidirecionais com intervalos irregulares e; 4) representações de sequências de efeitos. As principais características identificadas foram: duração, sequenciamento, simultaneidade, intensidade, fracionamento, proporcionalidade, repetibilidade, posicionamento absoluto e aspectos semânticos dos gráficos, ao incorrerem em representações indiciais, icônicas e simbólicas. O tema deste estudo inicial mostrou-se potencialmente interessante para o desenvolvimento de pesquisas que envolvam a compreensão do tempo e para comunicação desta variável em representações visuais com finalidades diversas.
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