- Research Article
- 10.20873/asel.v33i2.22395
A SEMIÓTICA DA ENTONAÇÃO
- Dec 19, 2025
- Acta Semiótica et Lingvistica
- Antonio Vicente Seraphim Pietroforte
O artigo propõe um modelo semiótico para analisar as relações entre a poesia e a canção, identificando a entonação, ou prosódia, como o fundamento linguístico comum a ambas. Inicialmente, classificamos a poesia em quatro regimes de engenharia baseados na oposição entre continuidade (fluxo) e descontinuidade (segmentação): o poeta linguista, como Augusto de Campos, que segmenta a linguagem; o poeta visionário, como Roberto Piva, que foca no fluxo discursivo e semântico; o poeta conversador, como Ferreira Gullar, que se aproxima da fala coloquial e o poeta arquiteto, como Glauco Mattoso, que nega o fluxo livre por meio de métricas rígidas. Em seguida, abordamos a semiótica da canção de Luiz Tatit, que defende que a canção se origina da maximização da prosódia da fala, onde a melodia intensifica a curva entoativa e o ritmo intensifica a acentuação tônica. Nossa proposta é a união desses conceitos num modelo tensivo que cruza os eixos da intensidade (acentuação) e da extensidade (curva entoativa), posicionando a fala coloquial como base neutra, a canção como uma correlação conversa e os diferentes regimes poéticos como uma correlação inversa.
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