O cuidado com a saúde mental de trabalhadores da saúde: uma análise da produção de conhecimento por meio de uma revisão de escopo
Em escala global, estudos têm dado considerável atenção aos aspectos psicossociais do trabalho e à forma como eles impactam nos trabalhadores da saúde dos diferentes níveis de atenção, com resultados que indicam a necessidade de melhorias nas condições gerais de trabalho e no fornecimento de suporte social aos profissionais da saúde, e alertam para o paradoxo do adoecimento de profissionais, cujo objetivo do trabalho é o cuidado de si e do outro. O artigo foi motivado pelas demandas psíquicas enfrentadas pelos profissionais, incluindo longas e intensas jornadas de trabalho, desvalorização profissional, conflitos interpessoais e sobrecarga emocional decorrente do cuidado de pacientes, com o objetivo de analisar ações e estratégias de promoção, prevenção, rastreio e cuidado em saúde mental entre profissionais de saúde. Trata-se de uma revisão de escopo sobre a saúde mental de profissionais da saúde, com foco na promoção, prevenção, rastreio e cuidado, através da identificação e apresentação dos dados disponíveis, na literatura nacional e internacional. Foi empregado o método do Joanna Briggs Institute, encontrados 1211 artigos, sendo 157 incluídos, no período de 2007 a 2022. Considerando a totalidade dos artigos, 94 textos identificaram a necessidade de intervenções em saúde mental e/ou física com os profissionais da saúde, sendo que, dentre eles, 60 (63,83%) se dão em contextos de desastres e catástrofes. A baixa quantidade de artigos interventivos (14,28%) se torna preocupante quando consideramos pesquisas que demonstram o receio dos trabalhadores da saúde em buscar ajuda em saúde mental no ambiente de trabalho. Destaca-se a importância de intervenções durante pandemias, incluindo apoio e acolhimento, bem como o uso de tecnologias. Conclui-se que há escassez de estudos anteriores a 2020 e de pesquisas de intervenção voltadas à compreensão e enfrentamento aos impactos na saúde mental, bem-estar e qualidade de vida dos profissionais de saúde. Entende-se que o uso de tecnologias da informação assume destaque e importância para pesquisas futuras, bem como para orientar as ações na gestão em saúde.
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