EDUCADOR-EDUCANDO E EDUCANDO-EDUCADOR: DIALOGICIDADE, PROBLEMATIZAÇÃO E PRÁXIS LIBERTÁRIA NA “PEDAGOGIA DO OPRIMIDO” DE PAULO FREIRE
Nas últimas décadas, o campo educacional tem questionado modelos pedagógicos centrados na transmissão unilateral de conteúdos, ressaltando a urgência de práticas formativas que valorizem o diálogo, a consciência crítica e a participação ativa dos sujeitos no processo de ensino-aprendizagem. Nesse contexto, o pensamento de Paulo Freire mantém vigor teórico e político ao propor uma relação horizontal entre educador e educando, sustentada pela dialogicidade como fundamento do ato educativo. Em Pedagogia do Oprimido, a dialogicidade é concebida como princípio estruturante da pedagogia freireana, pois institui a condição de sujeitos que ensinam e aprendem mutuamente na produção do conhecimento. O presente artigo tem como objeto de análise a relação “educador-educando e educando-educador”, compreendida como expressão concreta desse princípio e como eixo de uma práxis pedagógica libertária. Parte-se da seguinte pergunta de investigação: de que modo a dialogicidade, enquanto conceito fundante da pedagogia freireana, sustenta uma educação emancipadora baseada na problematização da realidade e na construção coletiva do saber? Teoricamente, fizemos uso central das obras de Paulo Freire (1970; 1992; 1997; 2011; 2013; 2015), auxiliados pelos trabalhos de Saviani (1996; 2008; 2011), Giroux (2005; 2011; 2024), Apple (1999; 2012; 2013; 2019), McLaren (1997; 2014; 2015), hooks (1994; 2000; 2003; 2010; 2018), Buber (1982; 2001), Habermas (1989), Marx (2015). A pesquisa é de cunho qualitativo (Minayo, 2007), bibliográfico e descritivo (2008) e com o viés analítico compreensivo (Weber, 1949). A investigação evidenciou que a dialogicidade constitui fundamento estruturante de uma pedagogia emancipadora ao redefinir o ato educativo como coprodução histórica do conhecimento entre sujeitos críticos e participativos. Constatou-se que a superação da educação bancária depende da ressignificação da autoridade docente como mediação ética e intelectual orientada pelo diálogo. Observou-se que a problematização da realidade concreta conecta saber escolar e experiência social, fortalecendo sentidos formativos. Verificou-se que a construção coletiva do conhecimento amplia autonomia intelectual, participação democrática e consciência histórica. Conclui-se que a dialogicidade integra dimensão ontológica, ética e política da educação, sustentando práticas comprometidas com humanização e transformação social.
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