Associação entre o uso de anabolizantes e sintomas psicóticos: Evidências emergentes
O uso de Esteroides Anabolizantes Androgênicos (EAA) tem se consolidado como um importante problema de saúde pública, especialmente em virtude de seus efeitos neuropsiquiátricos potencialmente graves e ainda subestimados. Este estudo teve como objetivo revisar criticamente a literatura científica recente acerca da associação entre o uso de EAA e o desenvolvimento de sintomas psicóticos, abordando aspectos epidemiológicos, clínicos, neurobiológicos e terapêuticos. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, baseada em artigos publicados entre 2015 e 2025, indexados nas bases PubMed, SciELO, PsycINFO, Web of Science e Google Scholar. Os resultados demonstram que o uso de EAA, sobretudo em doses suprafisiológicas e esquemas prolongados, está associado a maior incidência de sintomas psicóticos, incluindo mania, hipomania, delírios paranoides, alucinações, agressividade e delirium, podendo ocorrer mesmo em indivíduos sem histórico psiquiátrico prévio. Evidências de estudos clínicos, de coorte e de neuroimagem indicam que esses efeitos são dose-dependentes e mediados por alterações estruturais e funcionais cerebrais, especialmente envolvendo a amígdala, o córtex cingulado anterior e os sistemas dopaminérgico, serotoninérgico e glutamatérgico. Além disso, aproximadamente 30% dos usuários desenvolvem dependência de EAA, com elevado risco de depressão grave e ideação suicida durante a abstinência. Conclui-se que os sintomas psicóticos induzidos por EAA representam uma condição clínica relevante, exigindo reconhecimento precoce, abordagem multidisciplinar e estratégias preventivas e terapêuticas baseadas em evidências, com implicações diretas para a prática clínica e para políticas públicas de saúde mental.
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